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Módulo de Permacultura (Não Normativo)

Este módulo define como uma comunidade PODE integrar princípios e práticas de permacultura em uma estrutura alinhada ao RCOS.

O Módulo de Permacultura governa estrutura, autoridade e responsabilização em torno de sistemas ecológicos.
Ele NÃO prescreve sistemas de crenças, estilos de vida, hierarquias morais ou técnicas agrícolas.

Este módulo é opcional e NÃO DEVE sobrepor-se aos invariantes do RCOS Core.


Propósito e Escopo

Propósito

Possibilitar o uso regenerativo da terra e sistemas alimentares, evitando:

  • propriedade informal da terra por meio do cuidado,
  • trabalho ecológico oculto ou coagido,
  • captura ideológica da governança via “correção ecológica”,
  • compromissos estruturais irreversíveis disfarçados de sustentabilidade.

Escopo

Este módulo se aplica apenas a:

  • uso e cuidado da terra,
  • sistemas de produção de alimentos e materiais,
  • infraestrutura ecológica,
  • trabalho, papéis e autoridade decisória associados.

Ele explicitamente NÃO governa:

  • escolhas alimentares pessoais,
  • sistemas de crenças espirituais ou éticas,
  • jardinagem informal ou atividade de hobby fora do escopo governado.

Não-Objetivos (Explícitos)

Este módulo NÃO:

  • impõe a ideologia da permacultura,
  • define métodos ecológicos “corretos”,
  • concede autoridade moral à expertise ecológica,
  • exige participação ecológica como validação de identidade.

A ecologia é tratada como infraestrutura, não como crença.


Restrições de Design (Rígidas)

Quando este módulo está ativo:

  • A autoridade ecológica DEVE ser revisável.
  • O trabalho ecológico DEVE ser visível.
  • Os sistemas ecológicos DEVEM permanecer com saída possível.
  • A expertise ecológica NÃO DEVE se converter em poder de governança.

A falha em sustentar essas restrições constitui uma violação estrutural.


Classificação de Terra e Recursos

Escopo Ecológico Governado

A comunidade DEVE definir explicitamente quais terras e sistemas estão sob este módulo.

Para cada área ou sistema ecológico governado, o seguinte DEVE ser declarado:

  • classificação (comum, comum cuidado, privado),
  • atividades permitidas e proibidas,
  • autoridade decisória,
  • mecanismo de revisão e reclassificação.

Terras ou sistemas não classificados NÃO DEVEM ser governados por este módulo.


Proteção dos Bens Comuns

Terras ou sistemas classificados como bens comuns:

  • NÃO DEVEM ser privatizados por meio de uso, cuidado ou investimento,
  • NÃO DEVEM ser controlados indefinidamente por indivíduos ou famílias,
  • DEVEM ter regras explícitas de saída e reatribuição.

Nenhuma quantidade de trabalho, expertise ou contribuição histórica concede propriedade por padrão.


Papéis de Cuidado (Stewardship)

Definição de Papéis

Todas as responsabilidades ecológicas contínuas DEVEM ser atribuídas a papéis explícitos.

Cada papel de cuidado DEVE definir:

  • escopo e limites da autoridade,
  • interfaces de decisão com a governança da Camada 2,
  • duração do mandato e cadência de revisão,
  • processo de transição e sucessão,
  • condições de falha e remoção.

Nenhuma responsabilidade ecológica PODE existir fora de um papel.


Restrição Anticaptura

Um papel de cuidado:

  • NÃO DEVE controlar simultaneamente sistemas ecológicos E autoridade de governança,
  • NÃO DEVE acumular escopo não revisado,
  • NÃO DEVE se tornar insubstituível por meio de conhecimento não documentado.

A violação aciona revisão obrigatória.


Autoridade Decisória e Expertise

Mapeamento de Autoridade

As decisões ecológicas DEVEM ser mapeadas para os tipos de decisão do RCOS:

  • operacional (dia a dia),
  • política (regras e restrições),
  • constitucional (escopo, fronteiras dos bens comuns).

A expertise PODE informar decisões, mas NÃO DEVE sobrepor-se a:

  • limiares de decisão,
  • regras de facilitação,
  • processos de revisão e recurso.

A expertise ecológica confere contribuição, não autoridade.


Trabalho, Contribuição e Cuidado

Reconhecimento da Contribuição

O trabalho ecológico DEVE ser explicitamente reconhecido.

A comunidade DEVERIA definir:

  • o que conta como trabalho ecológico,
  • como intensidade, sazonalidade e trabalho de cuidado são registrados,
  • como a contribuição se relaciona (ou não se relaciona) com acesso e benefícios.

Trabalho ecológico invisível é tratado como um defeito estrutural.


Terceirização e Substituição

Se o trabalho ecológico puder ser terceirizado:

  • as regras de equivalência DEVEM ser explícitas,
  • a substituição financeira NÃO DEVE contornar requisitos de participação, salvo se explicitamente permitido,
  • a terceirização NÃO DEVE criar dependência do capital sobre a contribuição.

Colheita, Distribuição e Excedente

O módulo DEVERIA definir:

  • regras de propriedade e alocação da colheita,
  • prioridades de acesso (se houver),
  • manejo e descarte de excedentes.

O acesso à colheita NÃO DEVE substituir silenciosamente as obrigações de associação ou contribuição.

Sistemas alimentares NÃO DEVEM ser usados como alavanca sobre participação ou dissidência.


Infraestrutura e Investimento

A infraestrutura ecológica DEVE ter:

  • classificação de propriedade explícita,
  • responsabilidade de manutenção,
  • regras de financiamento e depreciação,
  • condições de descomissionamento ou transferência.

Investimentos privados em infraestrutura de bens comuns NÃO DEVEM conceder direitos de controle, salvo se explicitamente autorizados.


Conflito, Dano e Reparação

Conflitos ecológicos DEVEM usar os processos da Camada 4.

A comunidade DEVERIA distinguir entre:

  • discordância de método,
  • falha no cuidado,
  • violação de limite ou autoridade,
  • dano ecológico que exige reparação.

As obrigações de reparação DEVEM ser definidas com antecedência e DEVEM ser proporcionais.


Artefatos

Quando adotados, os seguintes artefatos são RECOMENDADOS:

  • Definição de Escopo de Terra e Ecologia
  • Mapa de Uso da Terra e Classificação
  • Registro de Papéis de Cuidado
  • Estrutura de Contribuição Ecológica
  • Regras de Alocação da Colheita
  • Registro de Infraestrutura Ecológica

Os artefatos DEVEM ser versionados e revisáveis.


Modos de Falha Conhecidos (Informativo)

Este módulo foi projetado para resistir a:

  • captura de terra por meio de “quem cuida mais decide”,
  • esgotamento por meio de trabalho de cuidado invisível,
  • ideologia ecológica tornando-se coercitiva,
  • domínio de especialistas substituindo a governança,
  • compromissos irreversíveis com a terra sem saída.

Saída, Reversão e Desativação

Se este módulo for modificado ou removido:

  • os papéis de cuidado DEVEM ser desfeitos de forma limpa,
  • a autoridade ecológica DEVE retornar à governança central,
  • nenhuma reivindicação permanente de controle PODE persistir.

Os sistemas ecológicos PODEM continuar. O poder ecológico NÃO DEVE.


Compatibilidade com o RCOS Core

Este módulo:

  • DEVE respeitar o escopo e os invariantes da Camada 0,
  • DEVE operar por meio da governança da Camada 2,
  • DEVE estar alinhado com as regras econômicas da Camada 3,
  • DEVE usar os caminhos de conflito da Camada 4,
  • DEVE ser documentado via Camada 5,
  • PODE evoluir por meio dos mecanismos de mudança da Camada 6.

A falha deste módulo NÃO DEVE desestabilizar o RCOS Core.


Nota Não Normativa

Os métodos de permacultura são intencionalmente excluídos.

O RCOS governa: quem decide, quem cuida, quem arca com o custo, quem se beneficia e como o poder é limitado — não técnicas de plantio ou filosofia ecológica.

Padrão RCOS por EcoHubs

Um sistema operacional modular que define como as comunidades intencionais se organizam — da governança e dos papéis ao compartilhamento de recursos e à resolução de conflitos — em prol da resiliência, da equidade e da regeneração.

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